Um pouco da história
O uso de tecnologias na escola pública brasileira foi iniciado timidamente com
projetos pilotos em escolas no final dos anos oitenta do século XX. Nesses projetos,
algumas experiências ocorriam com o uso do computador em atividades disciplinares e
muitas outras eram extracurriculares e ocorriam em horários diferentes daqueles em que os
alunos freqüentavam a escola. Nas duas situações era possível observar que as práticas
apresentavam-se com base em uma das seguintes abordagens: instrucionista (O computador
pode ser usado na educação como máquina de ensinar ou como máquina para ser ensinada.
Na visão instrucionista, o uso do computador como máquina de ensinar consiste na
informatização dos métodos de ensino tradicionais. Alguém implementa no computador
uma série de informações e essas informações são passadas ao aluno na forma de um
tutorial e de exercício-e-prática) ou construcionista (Na visão construcionista, o aluno
constrói, por intermédio do computador, o seu próprio conhecimento No construcionismo, a
construção do conhecimento acontece na realização de uma ação concreta que produz um
produto palpável (um artigo, um projeto, um objeto) de interesse pessoal de quem produz
(Valente, 1999, p.141) )
A prática pedagógica (Tivemos um momento em que a abordagem construcionista
ganha espaço em sala de aula. Contudo, cabe ao professor orientar o aluno para que ele
possa ter acesso a informações em diferentes fontes (livros didáticos e páradidáticos,
revistas, jornais, Internet, filmes, programas de rádio, especialistas...), atribuir-lhes
significado e construir conhecimento. Através do diálogo o professor pode entender o
mundo do aluno, identificar os conhecimentos que ele traz do cotidiano, orientá-lo para que
possa reconstruir significados e formalizar o conhecimento científico.É papel da escola
trabalhar com o conhecimento científico, mas isso não significa empurrar para o aluno o
conhecimento abstrato e sim realizar um trabalho pedagógico a partir do conhecimento que
o aluno demonstra possuir para que ele possa se desenvolver e atingir o novo patamar do
conhecimento científico sistematizado.)concreta não se desenvolve exclusivamente em uma
dessas abordagens.
Valente (1999) comenta que a prática oscila entre esses dois eixos, mas há sempre
um eixo predominante, o qual se relaciona com as concepções do educador sobre
conhecimento, ensino, aprendizagem e currículo.
Conforme estudamos na Unidade 1, o uso de tecnologias nas atividades de distintas
naturezas provoca avanços na ciência e nos conhecimentos que exigem a abertura da escola
aos acontecimentos e sua integração aos diferentes espaços de produção do saber, o que
implica em flexibilidade do currículo que passa a ter uma visão mais ampla e integradora
entre os conhecimentos sistematizados e aceitos socialmente e os conhecimentos que
emergem no contexto, na vida das pessoas, nas diferentes linguagens de comunicação que
fazem parte da cultura.
Mas deixemos para trabalhar com a concepção de currículo a partir de práticas que
vivenciaremos ao longo desta unidade. Por ora, vamos compreender as abordagens
construcionista e instrucionista e situar o trabalho com projetos no bojo dessas concepções.
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