terça-feira, 5 de outubro de 2010

Compartilhando possibilidades de contribuições das tecnologias

Um pouco da história

O uso de tecnologias na escola pública brasileira foi iniciado timidamente com

projetos pilotos em escolas no final dos anos oitenta do século XX. Nesses projetos,

algumas experiências ocorriam com o uso do computador em atividades disciplinares e

muitas outras eram extracurriculares e ocorriam em horários diferentes daqueles em que os

alunos freqüentavam a escola. Nas duas situações era possível observar que as práticas

apresentavam-se com base em uma das seguintes abordagens: instrucionista (O computador

pode ser usado na educação como máquina de ensinar ou como máquina para ser ensinada.

Na visão instrucionista, o uso do computador como máquina de ensinar consiste na

informatização dos métodos de ensino tradicionais. Alguém implementa no computador

uma série de informações e essas informações são passadas ao aluno na forma de um

tutorial e de exercício-e-prática) ou construcionista (Na visão construcionista, o aluno

constrói, por intermédio do computador, o seu próprio conhecimento No construcionismo, a

construção do conhecimento acontece na realização de uma ação concreta que produz um

produto palpável (um artigo, um projeto, um objeto) de interesse pessoal de quem produz

(Valente, 1999, p.141) )

A prática pedagógica (Tivemos um momento em que a abordagem construcionista

ganha espaço em sala de aula. Contudo, cabe ao professor orientar o aluno para que ele

possa ter acesso a informações em diferentes fontes (livros didáticos e páradidáticos,

revistas, jornais, Internet, filmes, programas de rádio, especialistas...), atribuir-lhes

significado e construir conhecimento. Através do diálogo o professor pode entender o

mundo do aluno, identificar os conhecimentos que ele traz do cotidiano, orientá-lo para que

possa reconstruir significados e formalizar o conhecimento científico.É papel da escola

trabalhar com o conhecimento científico, mas isso não significa empurrar para o aluno o

conhecimento abstrato e sim realizar um trabalho pedagógico a partir do conhecimento que

o aluno demonstra possuir para que ele possa se desenvolver e atingir o novo patamar do

conhecimento científico sistematizado.)concreta não se desenvolve exclusivamente em uma

dessas abordagens.

Valente (1999) comenta que a prática oscila entre esses dois eixos, mas há sempre

um eixo predominante, o qual se relaciona com as concepções do educador sobre

conhecimento, ensino, aprendizagem e currículo.

Conforme estudamos na Unidade 1, o uso de tecnologias nas atividades de distintas

naturezas provoca avanços na ciência e nos conhecimentos que exigem a abertura da escola

aos acontecimentos e sua integração aos diferentes espaços de produção do saber, o que

implica em flexibilidade do currículo que passa a ter uma visão mais ampla e integradora

entre os conhecimentos sistematizados e aceitos socialmente e os conhecimentos que

emergem no contexto, na vida das pessoas, nas diferentes linguagens de comunicação que

fazem parte da cultura.

Mas deixemos para trabalhar com a concepção de currículo a partir de práticas que

vivenciaremos ao longo desta unidade. Por ora, vamos compreender as abordagens

construcionista e instrucionista e situar o trabalho com projetos no bojo dessas concepções.

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